Guarda-corpo de varanda, escada e janela: o mapa da NBR 14718
Onde o guarda-corpo é pedido, a que altura, com que vão, de que material e como se comprova: o mapa da NBR 14718, inclusive para escada e janela com parapeito.
Guarda-corpo parece uma peça simples, uma barreira entre a pessoa e o vazio. Mas a NBR 14718, que trata dos guarda-corpos para edificação, organiza o assunto em perguntas bem concretas: onde instalar, a que altura, com que vão, de que material e como comprovar que o conjunto funciona. E ela não fala só de varanda. Escada e certas janelas também entram.
Onde a proteção é pedida
A norma pede guarda-corpo em qualquer local de acesso livre a pessoas onde haja desnível maior que 1 metro entre o piso em que elas estão e o patamar abaixo.
Ela também separa o uso privativo (varandas, mezaninos e escadas dentro de unidades) do uso coletivo (áreas comuns). As cargas dos ensaios dependem desse tipo de uso, da altura do edifício e da região do país, e o tipo de uso deve ser informado. Em guarda-corpo externo, a pressão de vento do local também entra na conta, com base na NBR 6123.
A que altura
A altura mínima é de 1,10 m, medida a partir da zona onde as pessoas ficam em pé junto ao guarda-corpo, que a norma chama de zona de estacionamento normal. Se houver uma mureta estreita sob o guarda-corpo, a norma acrescenta uma segunda referência de altura, medida a partir do topo da mureta.
O vão entre os elementos
Em guarda-corpo com vãos abertos, o espaço livre entre os elementos verticais não deve passar de 11 cm. Quando há apoios que permitam a alguém subir até cerca de 45 cm, a norma pede um elemento de fechamento no lado interno, inclusive em desenhos ornamentais. Na base, pede uma barreira que impeça a passagem de uma esfera de 5 cm rolando pelo piso, para que objetos soltos não caiam.
Escada e janela com parapeito
Escada. O guarda-corpo de escada segue os mesmos limites de vão. Na zona dos degraus, o afastamento do último elemento horizontal em relação à aresta do piso tem limite de 5 cm. E a norma pede que o projetista e o responsável técnico pela obra verifiquem os resultados do ensaio e avaliem se aquele modelo pode ser instalado naquela escada.
Janela. A norma diz que parapeitos de esquadrias com elemento de fechamento são considerados guarda-corpos e seguem os mesmos ensaios. O ensaio de impacto, nesse caso, é feito no centro do elemento de fechamento, como o vidro, quando ele fica abaixo de 1,10 m. Na prática, isso pode levar uma janela de peitoril baixo, em pavimento alto, para o campo do guarda-corpo.
Sacada fechada com vidro. Quando o guarda-corpo vem junto com o envidraçamento da sacada ou com a janela, o conjunto precisa atender à NBR 14718 e também à norma específica de envidraçamento de sacada ou à NBR 10821-2. O desempenho do conjunto é de responsabilidade do projetista e do fornecedor do fechamento.
O material
O alumínio em partes aparentes deve ser protegido por anodização (um tratamento que forma uma camada protetora na superfície do metal) ou por pintura. Os fixadores, parafusos e porcas, devem ser de aço inoxidável.
A norma também pede que se evite o contato entre metais diferentes, porque ele pode causar corrosão galvânica, aquela que aparece quando dois metais distintos se tocam na presença de umidade. Quando o contato existe, usa-se material isolante.
No guarda-corpo de vidro, o vidro segue a NBR 7199, e o laminado deve ser de classe de segurança 1. A norma proíbe a massa de vidraceiro, à base de gesso e óleo.
O ensaio é do conjunto
A comprovação vem de três ensaios, feitos em sequência num protótipo que representa a situação mais crítica de vão e de fixação, instalado como previsto em projeto: um esforço horizontal (que simula alguém se apoiando ou sendo empurrado), um esforço vertical e um impacto.
O relatório do ensaio deve identificar dimensões, materiais, tipo e espessura do vidro, forma de instalação e, quando houver, juntas de colagem estrutural. Por isso, "vidro de 10 mm" sozinho não responde tudo. O resultado depende do conjunto, e uma mudança de fixação ou de vão na obra pode tirar o guarda-corpo das condições ensaiadas, o que merece avaliação.
A ancoragem, que é a fixação na estrutura do prédio, deve ser especificada em projeto. A norma lembra que mureta de alvenaria não conta como parte estrutural da edificação.
Um exemplo hipotético
Suponha uma sacada de uso privativo, com vidro e perfil de alumínio anodizado. Todas as perguntas acima aparecem de uma vez. A altura chega a 1,10 m a partir do piso onde a pessoa fica? Existe ensaio do conjunto com aquele vidro e aquela fixação? A ancoragem foi pensada em projeto ou decidida na obra? O alumínio aparente tem tratamento? A espessura do vidro responde só a uma dessas perguntas.
O que vale pedir por escrito
Quem compra não precisa interpretar a norma. Precisa saber o que exigir que seja entregue. Cinco itens costumam bastar para começar.
- O tipo de uso (privativo ou coletivo), a altura do edifício e a região do país informados no projeto, porque definem as cargas do ensaio.
- O relatório de ensaio do conjunto, com desenho, tipo e espessura do vidro e forma de fixação.
- O documento de responsabilidade técnica do projeto e da execução do guarda-corpo. A norma pede que o fornecedor o disponibilize.
- O acabamento do alumínio aparente e o material dos fixadores, declarados.
- O manual de manutenção e limpeza do fabricante.
Cada item é um documento que se pede e se arquiva, sem precisar de formação técnica para conferir se chegou.
Na sua obra, cada guarda-corpo tem uso, altura e relatório de ensaio registrados?
Veja também o artigo Guarda-corpo de vidro: os requisitos de segurança que a maioria das obras ignora e os outros do Caderno Técnico.
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Conteúdo de caráter informativo. Os exemplos citados são hipotéticos. Normas técnicas são revisadas periodicamente: confira sempre a versão vigente junto à ABNT. Este material não substitui projeto nem avaliação técnica de profissional habilitado.
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