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Numa concorrência de esquadrias, é raro o vidro aparecer separado do resto da proposta — ele vem embutido no preço do "vão" ou da "janela". O problema é que o tipo de vidro é uma das variáveis que mais impacta custo, segurança e desempenho da fachada, e nem sempre está claro no que foi cotado.

Vidro comum, temperado e laminado não são substitutos entre si

O vidro float (comum, recozido) é o ponto de partida, mas raramente pode ser usado sozinho em fachada de prédio: quando quebra, estilhaça em cacos grandes e cortantes. Por isso a norma brasileira de vidros na construção civil trata separadamente o vidro temperado — que passa por um tratamento térmico que aumenta a resistência mecânica e, quando quebra, se fragmenta em pedaços pequenos e menos perigosos — e o vidro laminado, que é a junção de duas ou mais placas de vidro com uma película intermediária que segura os cacos no lugar mesmo depois da quebra, evitando queda de fragmentos.

A escolha entre eles não é estética, é normativa: a altura da abertura em relação ao solo, se há circulação de pessoas embaixo, se a esquadria está numa sacada, guarda-corpo ou cobertura, e a pressão de vento calculada para aquele ponto da fachada (veja o artigo sobre pressão de vento) determinam se o projeto exige temperado, laminado, ou os dois combinados.

E o vidro insulado?

O vidro insulado (também chamado de duplo ou câmara de ar) é uma composição diferente: duas placas de vidro separadas por uma câmara de gás seco, seladas nas bordas. Ele não substitui o temperado ou o laminado — pelo contrário, cada uma das placas do insulado normalmente é temperada ou laminada, dependendo da posição na fachada. O que o insulado resolve é desempenho térmico e acústico: a câmara de ar reduz a transferência de calor e atenua ruído externo, o que faz diferença real em fachadas de vidro extensas, voltadas para avenidas movimentadas ou com muita exposição solar.

Como isso deveria aparecer numa proposta

  • Tipo de vidro por região da fachada (não um tipo único "padrão" para o prédio inteiro).
  • Espessura de cada placa e, se for insulado, a espessura da câmara de ar.
  • Referência normativa da composição (isso deveria vir do projeto executivo, não ser decidido pelo fornecedor na hora da cotação).

Sem essas informações especificadas antes da concorrência, duas propostas com "vidro incluso" podem estar oferecendo produtos com custo e segurança bem diferentes — e isso só aparece depois, quando já é tarde para renegociar.

Quer garantir que a especificação de vidro do seu projeto está de acordo com a posição de cada esquadria na fachada? Fale com a VEIGA. Veja também os outros artigos do Caderno Técnico.