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Do vento da NBR 6123 à pressão de ensaio da esquadria

NBR 6123Leitura de 5 minutosCom vídeo

Como o vento da NBR 6123 chega à pressão de ensaio da esquadria e o que pedir por escrito: pressão adotada, pressão de ensaio, tensão e flecha.

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A apresentadora e as imagens do vídeo foram geradas com inteligência artificial.

Qual é o vento que a esquadria da sua obra precisa aguentar? E de onde vem esse número?

A NBR 6123, norma brasileira das forças do vento nas edificações, entrega o ponto de partida, a pressão de vento da obra. A esquadria, porém, não é verificada em cima desse número bruto. O projeto trabalha com uma pressão de ensaio e uma pressão de segurança, esta com margem sobre a primeira, e a partir delas confere o vidro e o perfil pela tensão admissível e pela flecha.

O vento da obra, em três perguntas

Antes de chegar à esquadria, a norma pede três respostas sobre a obra.

Onde fica a obra? A norma parte de uma velocidade básica do vento, lida num mapa do Brasil, que muda de uma região para outra. Ela corresponde a uma rajada de 3 segundos, medida a 10 metros do chão, em campo aberto e plano, que se espera superar em média uma vez a cada 50 anos.

O que existe em volta? O terreno e a vizinhança mexem com o vento. A norma considera o relevo (o topo de um morro tende a receber mais vento, e um vale protegido, menos) e a rugosidade do entorno, do mar liso aos centros de grandes cidades, cheios de obstáculos altos. Prédios vizinhos também podem aumentar as forças do vento.

A que altura? Em vento forte, a velocidade cresce com a altura. Para os elementos de vedação, grupo em que entram vidros e esquadrias, a norma recomenda considerar a altura do topo da edificação, porque o vento que bate na fachada é desviado para baixo.

Como a esquadria é elemento de vedação, o vento dela é tratado à parte do vento da estrutura. O motivo está explicado no artigo Por que a pressão de vento da esquadria não é a mesma do projeto estrutural.

Da pressão de vento à pressão de ensaio

O vento da obra é o dado de entrada. O que a esquadria leva para a especificação é a pressão de ensaio, aplicada a uma esquadria de teste, no laboratório, para verificar se ela se comporta bem sem romper e sem se deformar além do permitido.

A NBR 10821-2, na parte de classificação, traz valores mínimos de pressão de ensaio por região do país e por número de pavimentos do edifício. Para situações fora do comum, como edifício de forma não retangular, esquadria fora da vertical ou exigência especial da obra, a mesma norma manda recorrer à NBR 6123.

Existe ainda a pressão de segurança, definida como um valor maior que o de ensaio. Do lado do vidro, a NBR 7199 também aplica uma margem de segurança sobre a pressão de vento antes de verificar a espessura. Assim, a pressão de segurança já traz folga sobre a de ensaio, e a pressão de cálculo do vidro já traz folga sobre a de vento.

Depois da pressão, a verificação de tensão e flecha

Com a pressão definida, o projeto confere duas coisas em cada peça. A primeira é a tensão admissível, o limite de esforço que o material suporta com segurança. A segunda é a flecha, quanto a peça se curva sob a pressão. Uma peça pode resistir e, mesmo assim, se curvar demais, e uma esquadria que se deforma além do limite pode ter o abrir e fechar prejudicado sem que nada quebre.

No vidro, a NBR 7199 só considera a espessura adequada quando a peça atende à resistência e à flecha admissível. No perfil, a NBR 10821-2 limita a deformação sob a pressão de ensaio e a que sobra depois que a pressão é retirada.

Num exemplo fictício, suponha um memorial que diga apenas "esquadrias dimensionadas conforme a NBR 6123". Quem lê não consegue saber qual pressão foi adotada nem se vidro e perfil foram verificados. A frase pode estar certa, mas fica sem registro que a sustente.

O que vale pedir por escrito

Quem compra esquadria não precisa fazer a conta do vento. Precisa saber o que exigir que fique registrado. Três pedidos costumam bastar para começar.

  • A pressão de vento adotada para a obra, com a localização e os dados usados (velocidade básica, categoria de terreno e altura considerada).
  • A pressão de ensaio e a pressão de segurança usadas na especificação das esquadrias, com a norma de onde vieram.
  • A verificação de tensão e de flecha do vidro e do perfil, registrada no memorial, com o resultado dentro do limite admissível.

Vale pedir também a edição da NBR 6123 aplicada. A norma foi revisada e traz regra de transição para projetos protocolados antes de determinada data, então a edição faz diferença.

Por trás da janela

Esquadria não se compra como o pão da esquina. Por trás de uma janela que parece só fechar existe projeto, fabricação, fixação, montagem por equipe especializada, transporte e armazenamento em obra. O vento é uma das primeiras perguntas desse projeto, e a pressão de ensaio leva essa resposta à especificação.

No memorial da sua obra, a pressão de ensaio da esquadria está escrita?

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Conteúdo de caráter informativo. Os exemplos citados são hipotéticos. Normas técnicas são revisadas periodicamente: confira sempre a versão vigente junto à ABNT. Este material não substitui projeto nem avaliação técnica de profissional habilitado.

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VEIGA Engenharia e Consultoria VEIGA Engenharia e Consultoria. Curitiba, PR.

A imagem de abertura e a apresentadora do vídeo foram geradas com inteligência artificial. Os textos são da equipe da VEIGA.